terça-feira, 8 de setembro de 2009

Reações Tóxicas e Interações Medicamentosas de Fitoterápicos


As Plantas Medicinais vêm sido utilizadas como forma de terapia a muito tempo, muito marcada por significados místicos dentro do contexto saúde-doença essa terapêutica, no entanto, perdeu muito espaço através da Revolução Industrial que permitiu o surgimento das grandes indústrias farmacêuticas.

Porém, a prática da Fitoterapia, que é o uso de plantas em uma preparação farmacêutica para fins terapêuticos, se mostra uma forma de terapia alternativa muito procurada atualmente. No entanto, o uso de fitoterápicos possui os mesmos riscos de medicamentos sintéticos. A denominação “natural” aos medicamentos fitoterápicos dá margem a uma interpretação errada desse tipo de terapêutica e a uma automedicação irracional.

Algumas espécies de plantas medicinais têm alta toxicidade, como o confrei (Symphytum officinale L.), cujo chá e suco já foram utilizados largamente pela população. Estudo científico comprovou que esse vegetal sintetiza alcalóides pirrolizidínicos, substâncias causadoras de lesões hepáticas graves. Hoje, o uso do confrei se limita a aplicação tópica (uso externo).

Outras plantas medicinais são potencialmente perigosas, podendo-se citar as espécies do gênero Senecio, a jurubeba (Solanum paniculatum L.), o mastruço (Chenopodium ambrosioides L.) e a trombeteira (Datura suaveolens Humb. & Bopl ex Willd.), que podem lesionar o sistema nervoso central; a cáscara-sagrada (Rhamnus purshiana DC), que causa distúrbios gastro-intestinais (como diarréia grave) e a arruda (Ruta graveolens), que pode provocar aborto, fortes hemorragias, irritação da mucosa bucal e inflamações epidérmicas.

É importante também atentar para interações medicamentosas que existem entre as ervas e entre erva e droga alopática (medicamento sintético). Por exemplo, a erva de São João (Hypericum perforatum) que é um fitoterápico utilizado popularmente como sedativo leve pode potencializar o efeito de drogas como a ciclosporina, etinil-estradiol e digoxina, pois todos são metabolizados no fígado. O Kava-Kava, que também é um dos fitoterápicos muito utilizados no país para o alívio dos sintomas da ansiedade e insônia possui interações com diversos outros fármacos, como por exemplo, os benzodiazepínicos e também com o álcool , quando utilizados concomitantemente, provocam um aumento da depressão do sistema nervoso central (SNC).

Por recente decisão da Anvisa a Kava Kava e a Erva de São João passaram a ter tarja vermelha, ou seja, devem ser indicadas por médicos. Isso não invalida os efeitos farmacológicos benéficos dessas ervas, todavia, devem ser utilizadas através de supervisão médica.

O uso indiscriminado dos fitoterápicos pode trazer efeitos colaterais e efeitos tóxicos graves. Sendo importante, portanto, o fornecimento de informações priorizando a conscientização da população sobre tais riscos e desmistificando a idéia de que produtos a base de plantas não fazem mal.

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